DENGUE CLÁSSICAFortaleza já vive epidemia com mais de 10 mil casos
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Fortaleza já vive uma epidemia de dengue clássica, segundo o secretário Municipal de Saúde (SMS), Odorico Monteiro. Em menos de cinco meses de 2008, o número de pessoas acometidas pelo tipo mais leve da doença já representa 92% do total registrado em 2007. Até ontem, foram confirmados 10.381 casos, enquanto em todo o ano passado, o mosquito Aedes aegypti infectou 11.260 pessoas. Os dados são do Boletim Semanal da Dengue, divulgado ontem à tarde, pela Secretaria da Saúde do Estado.
Os números do boletim mostram que a Capital cearense detém quase 60% dos 17.384 casos confirmados de dengue clássica este ano no Estado. Em apenas uma semana, surgiram 2.079 casos de dengue clássica em Fortaleza, correspondendo 297 novos por dia. Fortaleza acumula ainda 107 casos de dengue hemorrágica e quatro óbitos, mas ainda existem outros 1.185 casos suspeitos e 12 mortes sob investigação.
A epidemia de dengue clássica também se alastra por mais 151 municípios cearenses. Só na semana passada, foram confirmados 2.756 casos novos no Ceará. Isso significa a confirmação de 393 casos novos por dia. Em janeiro deste ano, 1.597 pessoas tiveram o diagnóstico da doença confirmado pela Sesa. Passados quatro meses e meio, o número de pessoas infectadas pelo mosquito transmissor da dengue é dez vezes superior.
Dos 30.910 casos suspeitos notificados, foram confirmados laboratorialmente 17.384 pacientes acometidas com dengue clássica em todo o Ceará. Os casos acumulados de janeiro deste ano até ontem, representam 69,5% do total de 2007. O quadro é ainda mais preocupante no que diz respeito adengue hemorrágica.
Até ontem, 230 pessoas foram infectadas pelo tipo mais grave da doença em todo o Estado, correspondendo a 77% dos casos registrados no ano passado.
O Ceará registrou 24 casos novos de dengue hemorrágica esta semana, um crescimento de 11,65% em relação ao boletim anterior quando foram confirmados 206 pessoas com dengue hemorrágica, uma média de três casos novos por dia. Apesar do avanço dos casos hemorrágicos em 32 municípios do Estado, o índice de letalidade da doença é de 2,1%.
Os dados oficiais confirmam a morte de sete pessoas pelo tipo mais grave da doença e continuam sob investigação mais 20 óbitos suspeitos. Além das 12 mortes em investigação em Fortaleza, a Sesa aguarda o resultado dos exames de dois óbitos em Pacajus e das mortes registradas em Maracanaú, Aracati, Limoeiro do Norte, São Gonçalo do Amarante, Sobral e Tamboril, cada município notificou um óbito suspeito até o momento.
Epidemia clássica
A epidemia de dengue clássica em Fortaleza já atinge 109 bairros. Só em Messajana foram confirmados 712 casos, um acréscimo de 82 pessoas contaminadas pelo Aedes aegypti em apenas uma semana. A Secretaria Regional VI acumula o maior número de casos da Capital, com 2.991 casos confirmados até ontem.
Outra área com grande número de casos é a SER V, que já tem 2.501 casos de dengue clássica confirmados desde o início do ano. Nesta área, Mondubim concentra a maior incidência, com 293 pessoas infectadas pelo tipo mais leve da doença. A terceira posição do ranking metropolitano é ocupado pelos bairros localizados na SER III, onde foram confirmados 1.475 pessoas doentes.
Para diminuir os focos do mosquito na cidade, o secretário Odorico Monteiro tem pela frente o desafio de vedar 56% das 378.840 caixas d´água existentes em Fortaleza. Só em Messejana, onde há a maior infestação da doença, das 76.209 caixas d´água do bairro, apenas 43,31% estão vedadas.
O secretário Municipal de Saúde admite que sem a colaboração da sociedade é impossível conter os criadouros do Aedes aegypti e deter nova epidemia em 2009. Levantamento da SMS revela que a Capital cearense possui ainda 47.354 cacimbas, dessas apenas 3.836 estão vedadas e das 20.783 cisternas existentes, somente 4.662 são vedadas.
Suelem Caminha
RepórterABANDONO
Palácio da Abolição pode ser criadouro do Aedes aegypti
Como parte do conjunto arquitetônico do Palácio da Abolição, na Avenida Barão de Studart, as “piscinas” do entorno podem favorecer criadouros do mosquito da dengue. Uma das áreas mais críticas fica no cruzamento com a Rua Deputado Moreira da Rocha, nas proximidades da capela.
A preocupação de que poças de água, lama e ainda os resíduos sólidos jogados no local possam favorecer focos do Aedes aegypti, motivou o leitor Paulo Sérgio Teixeira Lima procurar o Alô Redação. Ele disse que passa no local, pelo menos, duas vezes por dia, e nota as águas represadas, sem possibilidade de escoamento.
“Noto um descaso com a situação, porque até crianças já vi brincando nas águas empoçadas. Essas águas somente aumentam a cada chuva que cai na cidade”, disse Paulo Sérgio.
Na verdade, como avalia o leitor, o problema do acúmulo nos pequenos reservatórios de concreto tem-se agravado com as chuvas dos últimos dias. Ontem, vários tanques estavam repletos de águas fluviais.
“Não há possibilidade de que as águas represadas do Palácio da Abolição favoreçam criadouros do mosquito da dengue. Isso não acontece porque estamos mantendo um controle sistemático no local, tanto para verificar o surgimento de possíveis focos, quanto na colocação de larvicidas”.
A afirmação é do titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Odorico Monteiro. Segundo ele, as inspeções, que estão sendo empreendidas pelo Núcleo de Controle de Endemias da Secretaria Executiva Regional II vão além dos exames das coleções de águas.
“É natural que a população fique preocupada, mas nos tranqüilizamos, no sentido de que as inspeções estão sendo sistemáticas e eficazes, para se ter um controle de existência ou não do criadouro do mosquito Aedes aegypit”, afirmou.
As inspeções são realizadas com exames das caixas d´água, cisternas, caixas de visitas, esgotos, ralos, piscinas, ocos de árvores, bebedouros, fossa de água fluvial e as cascatas do mausoléu.
Contudo, conforme observa Lima, a insalubridade é ainda mais grave. O lixo que era jogado nas chamadas “piscinas”, desde galhos de árvores até uma cadeira escolar, fez aumentar a sujeira e comprometer ainda mais a estética do palácio, que já foi referência como cartão postal de Fortaleza.
O Palácio da Abolição está sob a responsabilidade da Casa Militar desde o dia 18 de abril. Até recentemente funcionavam no local as secretarias de Cultura e Segurança Pública e Defesa Social e a Ouvidoria Geral e do Meio Ambiente.
Atualmente, encontra-se fechado, enquanto se prepara para uma reforma, quando voltará a ser sede do Governo após 20 anos. A edificação perdeu essa finalidade quando Tasso Jereissati (PSDB) foi eleito governador em 1986, ocupando o Palácio do Cambeba.
Ainda na manhã de ontem, o subtenente Francisco Juscelino informou que a última visita do Núcleo de Controle de Endemias da SER II aconteceu no último dia 6 de maio.
SAIBA MAIS
O Palácio da Abolição encontra-se na Avenida Barão Studart. Na verdade, trata-se de um conjunto arquitetônico, que inclui uma capela e o Mausoléu em memória do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. A obra do mausoléu foi uma iniciativa do então Governador Plácido Castelo. Ele foi projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes e consiste num bloco de concreto prismático longelíneo com um arrojado balanço de 30 metros, tendo no extremo a capela de meditação onde repousam os corpos do Presidente Castelo Branco e sua esposa dona Argentina Castelo Branco.
Autor da Pauta
Paulo Sérgio Teixeira Lima
• 39 anos
• Chefe de manutenção
• Enviado em 14/05/08Marcus Peixoto
RepórterSEMENTE
Moringa ajuda no combate ao mosquito
Uma alternativa econômica e ecologicamente mais viável no combate a dengue é desenvolvida do Laboratório de Biopolímeros da Universidade Federal do Ceará. Pesquisadores cearenses descobriram que a semente de moringa oleifera, encontrada em todo Nordeste, pode ser usada para combater as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e febre amarela.
Os pesquisadores comprovaram que a proteína chamada lectina, que está na planta, funciona como uma espécie de inseticida natural quando misturada a 20ml de água. A proteína mata a larva do mosquito antes que ela chegue à fase adulta, quando pode transmitir a dengue.
Segundo o coordenador da pesquisa, professor Haroldo César Bezerra de Paula, as vantagens do uso da semente em relação a outros larvicidas são o baixo custo de produção, a toxidade nula ao homem nas proporções utilizadas e a eficiência do produto. “Os mosquitos estão criando resistência aos inseticidas comuns”, afirma.
O professor explica que existem duas formas de combate ao mosquito. “Uma é contra o mosquito adulto e outra na fase larval. A nossa pesquisa atua na fase larval, quando é mais fácil controlar o inseto”, disse.
O resultado dos testes surpreenderam: nenhuma larva do mosquito da dengue sobreviveu quando ficou em contato com o pó extraído da semente da planta. O estudo na UFC começou em 2004.
Para as pesquisas avançarem, a equipe precisa de mais recursos. Os pesquisadores contam apenas com o apoio da UFC e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Estamos apresentando o projeto para o Banco do Nordeste que demonstrou interesse em financiá-lo”, i
Josenildo Firmino.